A magia da natureza: borras de café orgânico transformadas em cogumelos

O café faz parte da vida dos portugueses. Mas a história de uma simples bica vai muito para lá do instante em que é servida. A NÃM mostrou ao mundo que é possível fazer magia com borras de café orgânico. O truque tem um nome: economia circular.

Oito e meia da manhã. Senha 57. “É um café orgânico, por favor.” Sai o café. O porta-filtros é agitado contra o caixote do lixo. As borras caem. O cliente bebe o café orgânico. E agora? Voltemos um pouco atrás. Não é um caixote do lixo. É um caixote do reaproveitamento. Guardamos as borras. Esperamos pela hora de fecho. Chega o motorista e leva o saco das borras. As borras chegam às instalações da NÃM. A NÃM transforma as borras em cogumelos ostra frescos. Mas como?! É melhor chamarmos o Natan.

A ideia é aproveitar o facto de os cogumelos transformarem toda a matéria orgânica morta que encontram na natureza em alimento. Os cogumelos são os que reciclam tudo.”, explica o fundador da NÃM, startup responsável pela primeira quinta urbana de Lisboa, situada em Marvila. Natan Jacquemin veio da Bélgica para Portugal e trouxe na mala algo de grande valor: uma ideia de economia circular. “É uma questão de mudança de paradigma, é conseguir ver no desperdício um recurso, criando mais valor a partir dele.”, justifica o jovem empreendedor, cuja missão é reconciliar a ecologia com a economia.

A magia acontece quando se misturam borras de café orgânico com palha e micélio, que atua como uma espécie de semente de cogumelo. Depois, ao longo de seis semanas, a NÃM recria, na sua fábrica, as condições atmosféricas perfeitas para a produção do fungo: “Um pouco de frio, um pouco de vento, luz forte e humidade.”. Em apenas três anos, a NÃM conseguiu atingir índices de produção de uma tonelada e meia de cogumelos por mês. E pensar que tudo isto poderia nunca existir se aquelas borras tivessem ido mesmo para o caixote do lixo…

A NÃM, então, “devolve-nos” as borras do nosso café orgânico na forma de cogumelos ostra frescos. Agora, nas nossas cozinhas, damos continuidade ao círculo regenerativo desta economia. Pegamos nos cogumelos e preparamos novas refeições com eles. Uma salada vegetariana, com cogumelos NÃM, mistura de folhas sazonais biológicas, couscous, edamame, queijo feta, pickles de cebola roxa, pistácio e micro-ervas de huacatay. E uma tiborna – também vegetariana – em pão artesanal de 5 farinhas e 5 sementes, com cogumelos NÃM, folhas sazonais biológicas, molho de iogurte grego, pimento assado e micro-ervas de manjericão roxo. Abracadabra. É a natureza a fazer das suas.